segunda-feira, 30 de março de 2009

Artigo: Trabalho Feminino em Discursão

INTRODUÇÃO


Este artigo constitui na análise sobre a Trajetória do Trabalho Feminino, com finalidade de compreender seus avanços e suas problemáticas, com questões relacionadas aos conceitos antropológicos. Para tanto, tornou-se necessário entender a evolução do trabalho feminino.
Visto que, desde as primeiras décadas do século XIX, as maiorias dos proletariados eram compostas de mulheres e crianças, estas mulheres muitas das vezes, eram submetidas a baixos salários com longas jornadas de trabalho e alguns dos casos, sofriam assédios sexuais por parte dos seus patrões. Contudo, essas mulheres ainda eram vista de forma maldosa e preconceituosa por parte da sociedade.
O fato é que, a inclusão da mulher no mercado de trabalho, no decorrer da história, não foi unicamente pelos avanços e abertura da sociedade, e sim pelo fato que em sua maioria as mulheres aceitavam trabalhar com má remuneração e difícil condições de trabalho devido a sua responsabilidade para com a família. E também fenômeno do aumento das famílias chefiadas pelas mulheres, as chamadas famílias maternas.
Mas até os dias atuais, ainda é predominante a presença de mulheres na informalidade e em tantas outras atividades ocasionais, em condições de pobreza em meio à descriminação. Embora de acordo, com os termos da Carta Magna no Art. 3º constituir como objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil.
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem raça, sexo, cor idade e quaisquer outras formas se discriminação.
Art. 5º I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos desta constituição.
Estão resta-nos saber até que ponto esses diretrizes acontecem no nosso cotidiano? Até que ponto há realmente esta igualdade entre os sexos? Em especial no mercado de trabalho.


TRABALHO FEMININO EM DISCURSÃO:



Durante muito tempo as mulheres eram vistas, como seres inferiores e incapazes de exercer certas funções no mercado de trabalho, até porque a cultura implantada era que a tarefa da mulher perante a sociedade ficava restrita as atividades domésticas e na educação dos seus filhos e o cuidado com o seu marido, já as mulheres negras cabia o papel como empregadas domésticas, vendedoras de alimentos e lavadeiras, atividade praticada no período de escravidão. E importante deixar claro, que “na verdade, os negros eram considerados o problema”, a desigualdade social era interpretada como expressão das leis universais da natureza, como suas implicações de inferioridade inata dos não –brancos “(SEYFERTH 2002, pg. 34).
Pela existência das idéias deterministas nos conceitos científicos, as diferencias biológicas e fisiológicas sempre foram usadas de forma preconceituosa tanto entre os sexos e como entre as raças. O fato das mulheres, por exemplo, terem o corpo diferente dos homens foi interpretado como sinal de fraqueza física e de incompetência intelectual, em especial o seu desenvolvimento no mercado de trabalho.
Para Yannoulos(2002, p.15) citado por Barbosa (2008, pg.48):
Na sociedade capitalista moderna, o trabalho feminino remunerado integrou-se á uma divisão sexual horizontal do mercado de trabalho, segundo a qual as mulheres concentram-se em um determinado setor se atividade [...]. Suas ocupações têm em comum o fato de serem derivadas das funções de reprodução social e cultural, tradicionalmente desempenhadas pelas mulheres.

Na construção de uma Nova Sociedade a luta era para formação de uma sociedade em que os homens e mulheres deveriam desfrutar de condições de igualdade, sendo assim as mulheres teriam as mesmas oportunidades não só de trabalho como também na vida social. Deste modo, na Nova Sociedade, não teriam distinção de raça, sexo ou classe socioeconômica todos desfrutariam dos mesmos deveres e direitos em condições de igualdades.
Nesse contexto as mulheres nas primeiras décadas do século XX, já estavam dando os primeiros passo no mercado de trabalho diverso como, por exemplo; no campo trabalhando nas plantações, nas cidades trabalhando como empregadas domésticas, doceiras, lojas e nas camadas medias e altas muitas se tornavam engenheiras, advogadas e outras atividades aos poucos, as mulheres iam ocupando todos os espaços de trabalho possíveis.
Embora as mulheres fossem presença muito importante e significativa no mercado de trabalho foi no período dos anos 70 com a eclosão do feminismo que aconteceu mudanças nas relações de gênero. O feminismo denunciava a desigualdade, a violência sexual, violência doméstica, reivindicava também por melhores salários e condições de trabalho e de vida, até porque as mulheres queriam ter seus direitos não apenas reconhecido, mas ampliados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É importante afirmar, que mesmo com a medicina social a qual assegurava a mulher como características inferiores ao homem, por razões biológicas, atribuída às mulheres atitude de submissão. De uma forma geral as mulheres, em sua trajetória de vida no mercado de trabalho, vêem-se mostrando que a sua integração no meio socioeconômico não foi nada fácil, sempre marcada pela a desigualdade, descriminação, preconceitos e desafios. Contudo as mulheres acreditavam que esse tipo de movimento poderia mudar todo o quadro.
De acordo com Laraia (2002. Pg.19):
“A espécie humana se diferencia anatômica e fisiologicamente através do dimorfismo sexual, mas é falso que as diferenças de comportamento existentes entre pessoas de sexos diferentes sejam determinadas biologicamente. A antropologia tem demonstrado que muitas atividades atribuídas ás mulheres em uma cultura podem ser atribuídas aos homens em outras“.

Sendo assim e muito bem lembrado, que as mulheres em alguns casos demonstravam maiores habilidades em certos tipos de serviços do que os homens a prova evidente eram os efeitos dos trabalhos caseiros, e tinham uma rapidez no aprendizado até pelo fato da concorrência no mercado de trabalho. Ou seja, a questão é que as diferenças sexuais não podem continuar como símbolo de inferioridade e nem discriminação, imposta ou já determinada biologicamente.


Referências:

BARBOSA, José Amândio. A produção de fogos de artifício no município de Santo Antonio de Jesus-BA; Uma análise de sua contribuição para o desenvolvimento local. Dissertação de Mestrado. UNEB, 2008.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: Um Conceito Antropológico.Rio de Janeiro: Editora Jorge Zahar. 2002.

PINSKY, Jaime.Brasileiro(a) é assim mesmo: Cidadania e preconceito. São Paulo.Contexto, 2000.

PRIORE, Mary Del. História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto. 2001.

Racismo no Brasil. São Paulo: Peirópolis: ABONG, 2002. Vários autores.

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